Pular para o conteúdo principal

UFPB concede título de doutor honoris causa a Capitão Potiguara



Foto: Divulgação/UFPB

O Conselho Universitário da Universidade Federal da Paraíba (CONSUNI/UFPB) aprovou a proposta de concessão do título de Doutor Honoris Causa à José Ciríaco Sobrinho, conhecido como Capitão Potiguara. Ele é uma liderança indígena e servidor aposentado da UFPB.

Conforme observou o ClickPB, a honraria reconhece a trajetória dele na defesa dos direitos indígenas, atuação junto ao povo Potiguara e contribuição para a valorização dos saberes originários dentro da universidade.

O título para Capitão Potiguara foi indicado por meio dos professores do Departamento de Ciências Humanas Kelly Emanuelly de Oliveira e Estêvão Martins Palitot. Para os docentes, a aprovação da honraria representa a valorização dos povos originários, da diversidade cultural e da justiça social.

A proposta recebeu diversas cartas de apoio de pesquisadores, organizações indígenas, movimentos sociais e instituições acadêmicas.

Sobre Capitão Potiguara

Natural da Aldeia São Francisco, na Terra Indígena Potiguara, em Baía da Traição, Capitão Potiguara construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a luta territorial, a organização política indígena e a promoção da educação como instrumento de fortalecimento cultural e social.

ele esteve presente nos processos de regularização das terras indígenas Potiguara, Jacaré de São Domingos e Monte-Mór, além de mobilizações nacionais em defesa dos povos indígenas.

Na UFPB, ingressou em 1970 como trabalhador terceirizado no Campus I e depois se tornou servidor público federal. Ao longo de décadas, contribuiu diretamente para o fortalecimento das pautas indígenas dentro da universidade, articulando ações voltadas à extensão, pesquisa, ensino e políticas de acesso e permanência estudantil.

Entre as contribuições de maior destaque está a criação do Grupo de Trabalho Indígena (GT Indígena), vinculado ao Setor de Estudos e Assessoria a Movimentos Populares (SEAMPO/CCHLA), iniciativa que ampliou a visibilidade das questões indígenas na universidade e possibilitou a formação de estudantes, pesquisadores e lideranças indígenas.

Capitão Potiguara também teve atuação importante no processo de interiorização da UFPB e na criação do Campus IV, contribuindo para os diálogos que fortaleceram a implantação de cursos voltados às realidades indígenas e regionais, como o curso de Antropologia em Rio Tinto.

Além de sua atuação institucional, Capitão Potiguara é reconhecido nacionalmente por sua participação em organizações e articulações indígenas, como a APOINME (Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo), e por sua contribuição em espaços de discussão e formulação de políticas públicas voltadas aos povos originários.

Doutor Honoris Causa

A concessão do título de Doutor Honoris Causa é uma das mais altas honrarias acadêmicas da UFPB, destinada a personalidades que tenham contribuído de forma significativa para o progresso da instituição, da região ou do país, ou que tenham se destacado em favor das ciências, das artes, das letras e da cultura.

ClickPB

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Natal, novos rumos e a esperança que nasce do trabalho

Foto: Reprodução/Destino Brejo O Natal chega todos os anos como um convite silencioso à reflexão. É tempo de pausa, de olhar para dentro, de reconhecer o caminho percorrido e, sobretudo, de renovar a esperança. Mais do que uma data no calendário, o Natal é um estado de espírito que nos lembra do valor da vida, da fé, da família e do compromisso com o futuro. Em Lagoa de Dentro, esse sentimento ganha contornos próprios. Nossa terra é feita de homens e mulheres de muito trabalho, que não fogem da luta diária e que carregam no rosto a dignidade de quem constrói a própria história com esforço, honestidade e perseverança. É desse chão simples e fértil que brota a esperança de novos rumos, de dias melhores e de uma cidade cada vez mais justa, humana e desenvolvida. Ao longo do tempo, as conquistas acadêmicas e profissionais não surgem apenas como vitórias individuais, mas como frutos de um projeto coletivo que acredita na educação como força transformadora. Uma educação pujante, que abre por...

Alugo-me para não fazer nada

Imagem gerada por IA via ChatGPT (OpenAI Shoji Morimoto tinha um mestrado em física, morava em Tóquio e era, segundo suas próprias palavras, um tipo comum, calado, sem talentos especiais. Mas um dia, cansado de trabalhos que não o satisfaziam, publicou um tweet que mudou tudo: " Alugo-me para não fazer nada. Posso estar contigo, ouvir-te, acompanhar-te. Não cozinho, não limpo, não dou conselhos. Apenas existo contigo. Preço: transporte e comida ”. Ele fez isso por brincadeira. Mas, no dia seguinte, tinha mais de 500 mensagens. - Uma mulher pediu-lhe para acompanhá-la para assinar os papéis do divórcio. Ela não queria fazer isso sozinha. - Um jovem que saía do hospital após uma operação pediu-lhe para caminhar com ele até sua casa, em silêncio. - Uma senhora idosa convidou-o para comer, só para não mastigar sozinha. E o que você faz exatamente ? perguntou-lhe um jornalista. — Nada. Só estou lá. Mas, às vezes, estar é tudo. - Shoji foi contratado para ver um pôr do sol. Para segur...

Domingo de Ramos: o início da Semana Santa

O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, um dos períodos mais importantes do calendário cristão. Celebrado pelos fiéis em todo o mundo, esse dia recorda a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sua paixão, morte e ressurreição. A celebração une sentimentos de alegria e reflexão, pois anuncia ao mesmo tempo a aclamação do povo e o início do caminho que levaria Cristo à cruz. A entrada triunfal em Jerusalém Segundo os Evangelhos, Jesus entrou em Jerusalém montado em um jumentinho, gesto que simbolizava humildade e paz. Ao perceberem sua chegada, muitas pessoas estenderam mantos pelo caminho e agitaram ramos de palmeiras e oliveiras, proclamando: “ Hosana ao Filho de Davi! ”. Esse gesto de acolhida representava o reconhecimento de Jesus como o Messias esperado. Os ramos levantados pelo povo tornaram-se o principal símbolo dessa celebração. Por isso, nas igrejas, os fiéis levam ramos para serem abençoados durante a missa, lembrando aquele momento hist...